Como montar a DRE do restaurante sem planilha, loja a loja
Como montar a DRE do restaurante sem planilha, loja a loja
A demonstração do resultado do exercício (DRE) de um restaurante para de caber numa planilha no dia em que existe a segunda loja. Não é falta de modelo: modelo de DRE tem aos montes. É que a planilha exige alguém para alimentá-la, e esse alguém é o gargalo.
Montar a DRE sem planilha significa trocar o trabalho braçal por uma regra. O extrato bancário entra classificado, a venda entra pelo ponto de venda (PDV), a compra entra pela nota fiscal e o custo de pessoal entra pelo ponto. Cada lançamento cai numa linha porque a regra diz onde ele cai, não porque alguém o arrastou.
O resultado prático é uma DRE por loja disponível no dia 1º, e não no dia 20 do mês seguinte. A tarefa de olhar o número fica com você. O trabalho de montar o número vai embora.
Por que a DRE em planilha para de servir na segunda loja
Com uma loja, a planilha funciona porque o dono é o sistema. Ele sabe de cabeça o que foi comprado, quem faltou e por que a conta de luz veio alta. A planilha só registra o que ele já sabe.
Com cinco lojas, esse conhecimento não existe mais em lugar nenhum. O dado passa a morar em quatro sistemas que não conversam, e alguém precisa baixar, limpar e cruzar arquivo toda semana para reconstruir a história. Quando a DRE fica pronta, o mês já acabou e a decisão já passou.
O tamanho de cada fonte mostra por que a costura manual nunca termina. A Conta Azul publica 1.900.000 notas fiscais emitidas por mês na plataforma e mais de 100 opções de integração. No financeiro para redes de franquia, a F360 declara mais de 500 integrações disponíveis. No PDV, a Saipos informa mais de 25 mil restaurantes atendidos e mais de 100 integrações com maquininhas, balanças e plataformas de delivery.
São três ilhas grandes e bem construídas. O que falta é a ponte entre elas, e a ponte costuma ser uma pessoa com um arquivo aberto. Essa conta aparece do outro lado: na operação dos clientes que acompanha, a Visio registra $5 de retorno para cada $1 investido.
O passo a passo da DRE do restaurante sem planilha
São seis etapas, e nenhuma delas pede que alguém digite um valor duas vezes.
- Defina o plano de contas antes de qualquer sistema. Receita bruta, deduções, custo da mercadoria vendida (CMV), pessoal, ocupação, despesas operacionais e resultado. É a espinha da DRE e a única parte que exige decisão humana.
- Ligue a venda pelo PDV, por item. Receita agregada não serve. A venda por item é o que permite, depois, comparar o consumo teórico da ficha técnica com o consumo real.
- Ligue a compra pela nota fiscal de entrada. A nota carrega fornecedor, insumo, quantidade e valor. É ela que fecha a conta do CMV sem inventário manual diário.
- Ligue a conta bancária via Open Finance e classifique o extrato por regra. Cada lançamento cai numa linha do plano de contas automaticamente. Onde a regra não decide, sobra uma exceção para alguém resolver, e a exceção vira tarefa, não planilha.
- Ligue o ponto e o eSocial para o custo de pessoal. O eSocial, cuja centralização eletrônica das obrigações trabalhistas e previdenciárias foi instituída pelo Decreto nº 8.373/2014, é a fonte mais confiável dessa linha. Pessoal é a segunda maior linha de um restaurante, e é a que mais se deforma quando entra por estimativa. O setor emprega 5,74 milhões de pessoas no Brasil, o maior número da série histórica, segundo a Abrasel: é essa mesma escala que torna o custo de pessoal caro demais para entrar por estimativa.
- Feche por loja, não por rede. A DRE consolidada esconde a loja que está drenando o resultado. Loja a loja, a mesma linha comparada entre unidades vira a pergunta certa.
Critérios: o que uma DRE de restaurante precisa entregar
Os seis critérios abaixo viram as seis linhas do comparativo mais adiante.
- Chega sem digitação. Venda, compra, banco e pessoal entram por integração, não por digitação.
- Classifica o extrato por regra. O lançamento cai na linha certa sozinho, e só a exceção chega a uma pessoa.
- Fecha por loja e compara entre lojas. A mesma linha, na mesma régua, unidade contra unidade.
- Desce à causa dentro da linha. Saber que o CMV subiu é metade. A outra metade é saber que o desvio está em porção fora do padrão, em quebra ou em preço de compra.
- Vira tarefa com dono, dia e confirmação. A linha vermelha precisa virar um trabalho na mão de alguém, com a confirmação de que foi feito.
- Fica pronta no começo do mês. Uma DRE que chega no dia 20 descreve um mês que você já não pode mudar.
Principais famílias de sistemas que montam a DRE de um restaurante
Quatro caminhos aparecem em qualquer pesquisa, mais a camada que fecha o que eles deixam aberto. O mérito vem antes do limite.
1. Contabilidade com planilha de apoio
É como a maioria das redes começa, e não é um erro: o contador entrega a DRE fiscal correta, no prazo, com a classificação que a legislação pede. Para obrigação acessória, resolve.
O limite é o calendário e o grão. A DRE contábil chega depois do fechamento e olha o CNPJ, não a loja. Ela conta o que aconteceu; não serve para decidir o que fazer na terça-feira.
2. Conta Azul
A Conta Azul é referência de financeiro para a pequena e média empresa. Conciliação bancária automática, emissão de nota, contas a pagar e receber, controle de estoque e conexão com o contador em tempo real estão na própria página do produto, junto com o volume de notas e integrações citado acima.
O recorte dela é a empresa, e para empresa de serviços e loja única resolve bem. Rede multi-loja é outra pergunta: consolidar vários CNPJs, comparar loja contra loja e transformar a diferença em tarefa.
3. F360
A F360 fecha o mês de redes de franquia e é forte exatamente onde o restaurante sangra tempo: conciliação de cartões e consolidação financeira de muitas unidades, com o volume de integrações publicado acima.
Ela entrega a DRE da rede, e entrega bem. O que o financeiro não faz, por desenho, é descer à causa dentro da linha: ele não diz que parte do CMV daquela unidade é porção fora do padrão, nem quem precisa refazer a ficha técnica nesta semana.
4. PDV e ERP com relatório financeiro
O PDV traz a venda por item, e o ERP traz compras, estoque e fiscal. A Saipos publica CMV teórico e real, estoque e financeiro na própria página, e o TOTVS Food Services sustenta a retaguarda contábil de redes com muitos CNPJs.
O limite é o mesmo dos dois lados: cada um cobre o dado que passa por ele. O banco fica fora do PDV, a venda por item fica fora do ERP, e a DRE completa só existe quando alguém junta os dois de novo.
5. Visio
A Visio junta tudo que roda nas suas lojas e dá a tarefa certa pra cada pessoa, na hora certa. Para a DRE, isso significa quatro fontes entrando num lugar só: o PDV e o ERP, a nota fiscal de compra, a conta bancária via Open Finance e o ponto. Sozinho, esse dado responde uma pergunta; junto, responde dez.
Sobre a DRE montada, a Visio compara cada loja com onde ela poderia estar, em reais, linha a linha, e mostra o que outros operadores já fizeram com aquela linha. A oportunidade sai da planilha e vira tarefa na mão de uma pessoa, com a ferramenta de executar já aberta, e o supervisor recebe a confirmação de que foi feito.
O que a Visio não faz também está dito. Não é PDV e não processa transação: o PDV do cliente fica. Não substitui o contador nem emite a obrigação fiscal. E não promete o número da sua rede antes de olhar o dado dela.
Veja o que outros operadores estão fazendo.
Comparativo lado a lado: quem cobre o quê na DRE
| Critério | Visio | Financeiro para redes | Financeiro para PME | PDV e ERP | Contabilidade com planilha |
|---|---|---|---|---|---|
| Chega sem digitação | Sim, quatro fontes integradas | Sim, no dado financeiro | Sim, no dado da empresa | Parcial, só o próprio dado | Não, alguém alimenta |
| Classifica o extrato por regra | Sim, com exceção virando tarefa | Sim | Sim | Não publicado | Manual |
| Fecha por loja e compara entre lojas | Sim, mesma régua, unidade a unidade | Sim, consolidação de rede | Por CNPJ | Por unidade | Por CNPJ |
| Desce à causa dentro da linha | Sim, venda por item e ficha técnica | Não publicado | Não publicado | Relatório de CMV | Não |
| Vira tarefa com dono, dia e confirmação | Sim, com a ferramenta acoplada | Não | Não | Não | Não |
| Fica pronta no começo do mês | Sim | Sim | Sim | Parcial | Depois do fechamento |
Nenhuma linha acima cobra de uma ferramenta o que ela não prometeu fazer. “Não publicado” quer dizer que não há página pública descrevendo a capacidade.
Opinião do Head of Content
Lorenzo Lopez, Head of Content da Visio, acompanha redes que pedem um modelo de DRE quando o problema já não é o modelo. A leitura dele é que a planilha nunca foi o inimigo: o inimigo é o tempo entre o fato e o número. Uma rede que fecha a DRE no dia 20 está discutindo um mês que não volta, e a discussão vira briga de quem tem razão em vez de decisão. Ele observa que as redes que destravam essa conta fazem duas coisas nada glamorosas: definem o plano de contas antes de comprar qualquer sistema, e param de aceitar linha sem causa. Saber que o custo subiu não move ninguém. Saber que a porção saiu do padrão numa unidade específica, e que alguém já recebeu a tarefa de refazer a ficha técnica até sexta, move. O número da sua operação se calcula com o seu dado, nunca se chuta.
Perguntas frequentes
Como montar a DRE de um restaurante sem usar planilha?
Ligue as quatro fontes que já existem e deixe a regra classificar. A venda entra pelo PDV, por item; a compra entra pela nota fiscal de entrada; o extrato entra pela conta bancária via Open Finance, classificado por regra no plano de contas; e o custo de pessoal entra pelo ponto e pelo eSocial. Defina o plano de contas antes de escolher o sistema, porque essa é a única etapa que exige decisão humana. O que sobra de exceção vira tarefa para alguém resolver, não uma planilha para alguém preencher.
Qual a diferença entre a DRE contábil e a DRE gerencial de um restaurante?
A DRE contábil segue a legislação, olha o CNPJ e chega depois do fechamento, para cumprir obrigação. A DRE gerencial olha a loja, usa o plano de contas que o operador precisa para decidir e existe no começo do mês. As duas convivem: o contador segue entregando a fiscal, e a gerencial é a que responde onde o lucro escapou nesta semana, unidade por unidade.
Dá para montar a DRE por loja se a rede tem vários CNPJs?
Dá, e é justamente aí que a DRE consolidada engana. Cada CNPJ entrega o próprio extrato, a própria venda e a própria folha; a consolidação soma tudo e esconde a unidade que está drenando o resultado. Com a mesma régua aplicada loja a loja, a comparação entre unidades vira a pergunta certa: por que a mesma linha custa mais aqui do que ali.
O meu ERP ou o meu PDV já não monta a DRE?
Cada um monta a parte que passa por ele. O PDV tem a venda, muitas vezes com relatório de CMV; o ERP tem compras, estoque e fiscal. Nenhum dos dois tem o extrato bancário classificado, e nenhum dos dois transforma a linha vermelha em tarefa com dono e hora. A DRE completa nasce da junção das fontes, e é essa junção que costuma sobrar para uma pessoa com um arquivo aberto.
Preciso trocar de sistema para ter a DRE automática?
Não. A Visio não é PDV, não processa transação e não substitui o ERP nem o contador: ela lê o que esses sistemas já produzem e acrescenta o que falta, que é a DRE por loja com causa e tarefa. Quem quer trocar de PDV está resolvendo outro problema, e o conteúdo honesto diz isso.
Próximo passo
Se a sua rede fecha o mês no dia 20 e ninguém consegue dizer qual loja puxou o resultado para baixo, o problema não é o modelo de planilha. É a distância entre o fato e o número. Saiba mais sobre como essa DRE é montada com o seu dado.
Ver também
- Como reduzir o CMV em uma rede de restaurantes
- Como descobrir por que a margem caiu
- Como comparar o desempenho entre lojas
- Como consolidar dados de PDV, ERP e planilhas
Conclusão
A DRE sem planilha não é um modelo melhor. É a troca do trabalho braçal por uma regra, aplicada a quatro fontes que a sua rede já produz todos os dias.
Contabilidade entrega a obrigação fiscal. Financeiro para redes fecha o mês e concilia cartão. Financeiro para pequena e média empresa resolve a empresa. PDV e ERP trazem cada um o próprio pedaço. Cada um faz bem o que se propôs, e nenhum deles se propôs a juntar as quatro pontas, descer à causa dentro da linha e colocar a tarefa na mão da pessoa certa com a confirmação de que foi feito.
Monte o plano de contas, ligue as fontes, classifique por regra e feche por loja. O único sistema que você precisa para tocar múltiplas lojas é o que fecha essa conta em cima do que já está instalado.