O que é uma melhor prática de operação (e de onde ela vem)

por Lorenzo Lopez Head of Content, Visio

O que é uma melhor prática de operação (e de onde ela vem)

Uma melhor prática de operação é um jeito de fazer uma tarefa de loja que já provou resultado em lojas parecidas com a sua. Não é a opinião de quem manda, nem o que está escrito no manual, nem o que um fornecedor garante que funciona. É algo que uma loja fez, que mexeu num número medido em reais, e que outras lojas repetiram com o mesmo efeito.

Pense em como a boa prática costuma chegar na sua rede. Alguém do escritório escreve uma regra nova, manda no grupo, e espera que as lojas sigam. Algumas seguem por uma semana. Outras nem leem. Um mês depois, ninguém sabe se a regra funcionou, porque ninguém mediu antes nem depois. A regra foi declarada verdade de cima para baixo, e isso é o oposto de uma melhor prática.

A melhor prática de verdade se conquista, não se declara. A rede mede o que funcionou em lojas parecidas e compartilha. Este guia explica de onde ela vem, como reconhecer uma, e como fazê-la chegar às outras lojas como tarefa, e não como ordem.

Por que a melhor prática importa mais numa rede do que numa loja só

Com uma loja só, a melhor prática é o dono. Ele testa uma mudança na segunda-feira, vê o resultado na sexta e decide se fica. O ciclo é curto porque quem testa, quem mede e quem decide são a mesma pessoa, no mesmo lugar.

Abre a segunda, a quinta, a décima unidade, e esse ciclo quebra. O dono não está em todas para testar. O gerente que acerta numa loja não tem como contar para o gerente de outra, a não ser no grupo de WhatsApp, onde a ideia se perde entre fotos e cobranças. E o escritório, que poderia comparar as lojas, só vê o fechamento do mês, tarde demais para saber o que causou o quê.

O resultado é que a rede inteira perde a maior vantagem que tem sobre uma loja só: o número de experimentos acontecendo ao mesmo tempo. Cada loja é um laboratório, todo dia, e quase nenhuma rede aproveita. A operação física é o último tipo de negócio que ainda perde dinheiro conforme cresce, e uma das razões é essa: o que uma loja aprende morre nela.

O tamanho desse laboratório não é pequeno. O Brasil tem 1,7 milhão de unidades locais de comércio, segundo o Cadastro Central de Empresas do IBGE, e a maior rede de lojas físicas do país já soma 4.217 pontos de venda, segundo o Ranking Cielo-SBVC. Em qualquer escala dessas, a prática que uma loja descobre e as outras nunca veem é desperdício em massa.

Os operadores sentem isso e pedem a solução sem serem perguntados. Um deles, sobre a própria rede, resumiu: “vocês não tem como ver quem tá usando o melhor modelo e colocar como padrão?”

E é onde a conta muda: a Visio registra $5 de retorno para cada $1 investido na operação dos clientes que acompanha.

Como avaliar se algo é uma melhor prática de verdade: 6 critérios

Os seis critérios abaixo viram as linhas do comparativo mais adiante. Uma prática que não passa em todos ainda é hipótese, e hipótese é boa, desde que ninguém a trate como verdade.

  1. Nasceu numa loja real. Tem endereço: foi feita por um time, num turno, numa unidade da sua rede ou de uma operação parecida.
  2. Mexeu num número medido em reais. Uma linha da demonstração do resultado (DRE) daquela loja, antes e depois. “Melhorou o atendimento” não é número; “a quebra da loja caiu R$ Y no mês” é.
  3. Foi comparada com lojas parecidas. A loja do shopping não se compara com a loja de rua sem cuidado. Porte, fluxo e cardápio parecidos tornam a comparação justa.
  4. Repetiu o efeito em outra loja. Uma loja que acerta pode ser sorte. Duas ou três lojas parecidas que acertam do mesmo jeito começam a ser prática.
  5. Está descrita como tarefa. Não como princípio (“cuidar da porção”), e sim como o que alguém faz, em que momento, com qual ferramenta.
  6. Continua sendo medida. A prática que funcionou no ano passado pode ter parado de funcionar. Se ninguém mede, ninguém sabe.

Top 5 passos para uma melhor prática nascer e se espalhar numa rede

1. Comece pela dor em reais, não pela ideia

A pergunta certa não é “o que poderíamos fazer melhor?”. É “onde está o dinheiro?”. Compare a DRE de cada loja, linha a linha, com onde ela poderia estar, e escolha a linha que mais pesa. “Reduzir perdas” não é oportunidade; “reduzir desperdício de porção na unidade X, que vale R$ Y por mês” é.

Começar pela dor muda tudo o que vem depois. A prática deixa de ser uma boa intenção do escritório e passa a ser a resposta a uma pergunta que tem valor, loja e prazo.

2. Ache a loja parecida que já acerta aquela linha

Em quase toda rede, alguma loja já resolve a dor que as outras sofrem. A loja com a menor quebra, a que fecha o caixa sem diferença, a que abre no horário todo dia. Ela raramente sabe que é exemplo, porque ninguém comparou.

Para achá-la, o dado das lojas precisa estar junto: venda do ponto de venda (PDV), nota fiscal de compra, estoque, ponto, conta bancária. Sozinho, esse dado responde uma pergunta; junto, responde dez. E a comparação precisa ser entre lojas parecidas, para que a diferença seja de prática, e não de endereço.

3. Descreva o que ela faz como tarefa, com o time que faz

A parte mais difícil de copiar uma boa prática é descobrir o que ela é de fato. A gerente da loja que acerta a quebra raramente descreve a própria rotina como “prática”: para ela, é só o jeito de trabalhar. Pergunte a ela e ao time o que fazem, quando e com o quê.

Depois, escreva a resposta como tarefa. Não “controlar a validade”, e sim “conferir a validade da câmara fria toda terça, antes do pedido, e registrar o que vence na semana”. A inteligência da prática é de quem a inventou; o trabalho de quem espalha é não perder nenhum detalhe no caminho.

Veja o que outros operadores estão fazendo.

4. Teste em outras lojas parecidas e meça antes e depois

Leve a tarefa para duas ou três lojas parecidas, não para a rede inteira. Meça a mesma linha da DRE antes e depois, pelo mesmo critério. Se o efeito se repetir, a prática foi provada entre lojas. Se não se repetir, você aprendeu algo sobre a primeira loja que ainda não sabia.

Esse passo separa a melhor prática conquistada da declarada. A declarada vai para todas as lojas de uma vez, e nunca se sabe se funcionou. A conquistada chega às outras lojas já com o resultado de quem testou do lado.

5. Compartilhe como tarefa pronta para ativar, e continue medindo

A prática provada vira algo que qualquer loja parecida pode ativar: documentada, medida e pronta. O gerente de outra unidade não recebe uma ordem do escritório; recebe o que outras lojas como a dele já fizeram, com o resultado em reais, e a tarefa pronta para o time. Quem decide adotar é o operador.

Depois de ativada, ela continua sendo medida. A prática que parar de funcionar volta a ser hipótese, e a rede segue procurando a próxima loja que acerta. É assim que a rede aprende: pelo método e pelo time, loja a loja, e não por uma regra que alguém declarou.

Comparativo lado a lado: de onde a boa prática vem em cada ferramenta

O que uma melhor prática precisaManual da operaçãoGrupo de WhatsApp dos gerentesPlanilha de indicadoresVisio
Nasce numa loja realParcial, na experiência de quem escreveuSim, quando um gerente conta o que fezNãoSim, a partir do que as lojas já fazem
Mexe num número medido em reaisNãoNãoParcial, montado à mãoSim, linha a linha da DRE da loja
Comparada com lojas parecidasNãoNãoParcial, se alguém cruzarSim, loja contra loja
Repete o efeito em outra lojaNãoNãoParcialSim, medido antes e depois
Descrita como tarefa, com dono e horaParcial, como procedimentoNãoNãoSim, com a confirmação de que foi feito
Continua sendo medidaNãoNãoParcialSim

Nenhuma coluna acima é cobrada pelo que não prometeu fazer. O manual guarda o padrão da rede e é a referência de quem está chegando. O grupo de WhatsApp é onde a boa ideia de um gerente aparece primeiro, rápido e sem cerimônia. A planilha é flexível, gratuita, e começou a rede inteira nela. O que fica de fora de todos eles é o elo entre a ideia que funcionou numa loja, o número que prova isso e a tarefa pronta para a loja parecida.

Cenários: por onde começar conforme a sua rede

Rede com manual grosso e lojas que fazem cada uma do seu jeito. O manual declarou a verdade, e as lojas não compraram. Comece pelo passo 2: ache a loja que já acerta e mostre às outras o que ela faz, com o número do lado.

Rede em que o dono ainda é a fonte de toda ideia. O dono testa, o dono decide, o dono cobra. Comece pelo passo 3: pergunte ao time da melhor loja o que ele faz. A próxima boa prática provavelmente já existe, e não é do dono.

Rede que troca de regra todo mês. Muita regra nova, nenhuma medida. Comece pelo passo 4: teste em poucas lojas, meça, e só então espalhe.

Rede grande, com time de operações. O problema não é ter ideia, é saber qual funcionou. Aqui o passo 5 é o gargalo: a prática provada chegando pronta às lojas parecidas e continuando a ser medida. É o desafio de redes que somam centenas de lojas: o Brasil já tem 202.444 unidades franqueadas em operação, segundo a ABF, e cada uma pode estar reinventando a roda sozinha.

Uma loja só. O dono ainda é o laboratório inteiro, e o ciclo curto funciona. Vale anotar o que deu certo desde já, para o dia da segunda loja.

Caso real: o Grupo Fresh Food, maior grupo Subway do Brasil

O Grupo Fresh Food é o maior grupo Subway do Brasil e quer ser o maior do mundo, com as lojas rodando na Visio. O caminho começou com uma loja e uma ferramenta, e depois foi ferramenta atrás de ferramenta, conforme cada dor apareceu. Numa rede de muitas lojas parecidas, com o mesmo cardápio e a mesma marca, o que uma loja aprende vale para dezenas de outras, desde que alguém meça e leve adiante.

“Queremos ser o maior grupo operador de Subway do mundo. E sem a Visio a gente não vê isso acontecendo.”

Henrique Keltke, Grupo Fresh Food

O resultado de cada rede, porém, não se promete antes de olhar o dado dela. O número da sua operação se calcula com o seu dado, nunca se chuta. Saiba mais sobre como esse mapeamento é feito.

Opinião do Head of Content

Lorenzo Lopez, Head of Content, Visio, observa que a expressão “melhor prática” foi gasta por quem a usa para dar autoridade a uma opinião. O escritório escreve uma regra, chama de melhor prática, e a loja entende o recado: é ordem. Na leitura dele, o nome só vale quando carrega a prova junto: a loja onde a prática nasceu, o número que ela mexeu e as outras lojas onde o efeito se repetiu. Sem isso, é hipótese, e hipótese honesta é ótima, desde que ninguém finja que é certeza. Ele insiste num ponto que costuma surpreender donos de rede: a melhor ideia da operação quase nunca vem do escritório. Vem de uma gerente que achou um jeito de fazer a câmara fria render mais, e que nunca contou para ninguém porque achava óbvio. O trabalho de quem toca a rede é achar essa gerente, medir o que ela faz e levar adiante com o nome da loja dela. O time fica melhor, não menor.

Perguntas frequentes

O que é uma melhor prática de operação?

É um jeito de fazer uma tarefa de loja que já provou resultado em lojas parecidas. Ela nasce numa loja real, mexe num número medido em reais, se repete em outras lojas parecidas e está descrita como tarefa, com dono e momento. O que não passou por essa prova ainda é hipótese, por melhor que pareça.

Qual a diferença entre melhor prática e procedimento padrão?

O procedimento padrão é declarado: alguém escreve como a tarefa deve ser feita e as lojas seguem. A melhor prática é conquistada: uma loja faz de um jeito, o resultado é medido, e o jeito só vira padrão depois de funcionar em outras lojas parecidas. Um bom procedimento padrão costuma ser uma melhor prática que foi provada e escrita.

De onde vêm as melhores práticas numa rede de lojas?

Quase sempre de uma loja que já resolve uma dor que as outras sofrem, e quase nunca de uma ideia do escritório. Para achá-la, o dado das lojas precisa estar junto e a comparação precisa ser entre lojas parecidas. Depois, o time daquela loja descreve o que faz, e a prática é testada em outras unidades antes de se espalhar.

Como levar uma boa prática de uma loja para as outras?

Como tarefa pronta para ativar, com o resultado de quem testou do lado, e não como ordem. O gerente da loja parecida recebe o que a outra loja fez, quanto isso valeu em reais e a tarefa pronta para o time, com dono, hora e a confirmação de que foi feito. Depois de ativada, a prática continua sendo medida.

Quanto custa um sistema que compara lojas e espalha boas práticas?

O preço da Visio se forma por fatores: número de lojas, uso medido em créditos, hardware quando houver e plano contratado. Nada é destravado por plano, ou seja, todo plano alcança toda ferramenta, e a rede pode entrar pela dor que aperta hoje e crescer dali. Os valores atualizados ficam na página pública de preços, em visio.ai/pricing.

Próximo passo

Se a sua rede tem uma loja que acerta o que as outras erram e ninguém sabe dizer por quê, a próxima melhor prática já existe. Falta medir, comparar com as lojas parecidas e levar adiante como tarefa. Saiba mais sobre como a Visio junta o dado das lojas e mostra o que outras operações já fizeram que funcionou.

Ver também

Conclusão

Uma melhor prática de operação não é o que alguém declara que funciona. É o que uma loja fez, que mexeu num número em reais e que se repetiu em lojas parecidas. Ela se conquista, não se declara, e a inteligência dela é de quem a inventou e do método que a provou.

Manual, grupo de WhatsApp e planilha guardam pedaços desse caminho, e cada um faz bem o que se propôs. O que fica de fora é o elo entre a ideia que funcionou numa loja e a tarefa pronta na loja parecida, com o resultado do lado. É nesse vão que uma rede desperdiça o que aprende, e é ali que a Visio opera, em cima do que já está instalado. O único sistema que você precisa para tocar múltiplas lojas.