Meu CMV subiu e eu não sei por onde começar

por Lorenzo Lopez Head of Content, Visio

Meu CMV subiu e eu não sei por onde começar

Comece por uma loja, não pela rede inteira: escolha a unidade com o pior desvio de custo da mercadoria vendida (CMV) do mês e meça nela as quatro causas possíveis (porção, quebra, preço de compra e venda não registrada), na ordem em que aparecem no estoque. Tentar atacar o CMV da rede toda de uma vez é o motivo mais comum de essa tarefa nunca sair do lugar.

Perguntas frequentes

Por onde eu começo, na prática, hoje mesmo?

Puxe o relatório de CMV por loja do mês. Ordene do pior desvio para o melhor. Pegue a primeira linha, não as dez. Nessa loja, confira o consumo teórico da ficha técnica contra o consumo real do estoque, item por item, antes de olhar preço de compra ou venda. A porção é a causa mais comum e a mais rápida de confirmar, porque o dado já existe na sua ficha técnica.

E se a loja não tiver ficha técnica atualizada?

Então essa é a tarefa de hoje, e ela já é a resposta: uma ficha técnica desatualizada é a razão mais frequente de o CMV teórico e o real se aproximarem artificialmente e o desvio sumir do relatório. Atualizar a ficha técnica dos três itens de maior volume da loja escolhida já revela onde o número mentia.

Preciso trocar de PDV ou de sistema de compras antes de começar?

Não. O ponto de venda (PDV) e o sistema de compras que a loja já usa bastam para o primeiro corte. Trocar de ferramenta antes de olhar o dado que já existe é o segundo motivo mais comum de essa tarefa travar, logo depois de tentar consertar a rede inteira de uma vez.

Depois da primeira loja, o que fazer?

Vire a causa encontrada em tarefa, com dono e prazo, confirme que foi feito e só então repita o mesmo corte na segunda pior loja. O que funcionou na primeira não se copia às cegas: cada loja tem o fornecedor, o time e o cardápio que ela tem, e a régua é sempre o próprio dado da unidade.

Quanto tempo essa primeira conferência deve levar?

Depende de quantos itens o cardápio daquela loja tem, mas a lógica é a mesma independente do tamanho: comece pelos itens de maior volume, porque são eles que carregam a maior parte do desvio, e deixe os itens de menor giro para uma segunda passada. Uma conferência que tenta cobrir o cardápio inteiro de uma vez costuma travar antes de terminar.

E se eu não souber qual das quatro causas é a mais provável?

Comece sempre pela porção, porque o dado dela já existe na sua ficha técnica e não exige olhar nota fiscal nem caixa. Se a porção bater, siga para a quebra, depois para o preço de compra, e só então para a venda não registrada, que costuma exigir cruzar mais fontes. A ordem existe para você não precisar adivinhar.

Por que a rede inteira nunca é o ponto de partida certo

Pedir “o relatório de CMV da rede” antes de escolher uma loja parece o caminho mais completo, e é exatamente o que trava a maioria das tentativas. Um número consolidado mistura a loja que está ótima com a que está péssima, e a média que sobra não aponta para nenhuma tarefa específica. Quem começa pela rede inteira costuma sair da primeira reunião com uma lista de doze lojas e nenhum responsável de verdade, porque o corte largo demais não cabe na agenda de ninguém.

O caminho contrário funciona melhor não porque seja mais simples, mas porque respeita como o dado de cada loja já nasce separado. Trabalhar uma unidade de cada vez também poupa o tempo de quem decide: em vez de revisar a rede inteira todo mês, a pergunta vira “qual é a pior loja agora”, que muda de resposta e evolui conforme as tarefas anteriores forem fechadas.

Por que a pergunta “por onde começo” trava tanta gente

O CMV é um resultado, não uma causa, e é por isso que a pergunta “por onde começo” é mais difícil do que parece. Quando ele sobe, o número sozinho não diz se o problema é a mão do cozinheiro, o produto que estragou, o fornecedor que reajustou ou a venda que não passou pelo caixa. As quatro coisas produzem exatamente o mesmo sintoma na demonstração do resultado do exercício (DRE), e o operador que olha só o total da rede está olhando uma média de causas diferentes, em lojas diferentes.

Existe um motivo estrutural para o desvio ficar escondido loja a loja: cada unidade de uma rede brasileira normalmente responde por um cadastro fiscal próprio, matriz ou filial, conforme a Instrução Normativa RFB nº 2.119/2022, da Receita Federal, que organiza o CNPJ nesses dois papéis. Na prática, o custo de cada loja nasce e se apura num cadastro separado dos das outras, o que explica por que “o CMV da rede subiu” raramente aponta para uma causa só. O Brasil chegou a mais de 23,9 milhões de CNPJs ativos de pequenos negócios no quarto trimestre de 2025, segundo a Agência Sebrae de Notícias, com dados da própria Receita Federal: a fragmentação que confunde o operador de duas ou três lojas é a mesma fragmentação que existe, em escala, no país inteiro.

Cenários: por onde começar conforme o tamanho da sua rede

Duas ou três lojas. A diferença entre a melhor e a pior costuma ser visível olhando os dois relatórios lado a lado, sem sistema nenhum. O trabalho é abrir os dois e comparar a mesma linha, item por item, na loja pior.

Cinco a quinze lojas. Aqui o relatório consolidado já esconde a loja certa, e abrir um relatório por unidade toda semana deixa de caber na rotina de qualquer supervisor. É o ponto em que ordenar as lojas pelo desvio, automaticamente, passa a valer o esforço de configurar.

Mais de quinze lojas, com equipe de operações. A pergunta muda de “qual loja” para “quantas lojas por semana a equipe consegue fechar”. A resposta certa continua sendo uma de cada vez; o que muda é que a fila de lojas precisa de uma ordem que sobreviva à saída de gente do time de operações.

Critérios: como saber se o corte que você escolheu é o certo

  1. A loja é a de pior desvio do mês, não a mais lembrada. A memória do dono puxa para a loja que deu problema recentemente; o relatório puxa para a loja certa.
  2. A causa escolhida tem endereço em reais, não em percentual. “Reduzir perdas” não é oportunidade; “a porção do item X saiu do padrão nesta loja” é.
  3. O corte cabe numa tarefa de uma pessoa. Se a resposta exige mexer em três sistemas ao mesmo tempo, o corte ainda está grande demais.
  4. Existe alguém que confirma que foi feito. Sem confirmação, o corte vira boa intenção e a próxima pergunta é a mesma de novo mês que vem.

Principais sistemas que ajudam nesse primeiro corte

O mérito vem antes do limite, e cada um resolve uma parte real da pergunta.

F360 consolida o financeiro de redes de franquia e é forte em conciliação de cartões, com mais de 500 integrações disponíveis segundo a própria página do produto. Ela confirma que o CMV da loja subiu; não separa, dentro da linha, se foi porção, quebra ou preço.

Kompra.App ataca o lado da compra: cotação automática com fornecedores por WhatsApp, catálogo e centralização de nota. É o caminho mais direto quando a causa é preço de entrada, e não enxerga o que acontece com o insumo depois que ele entra na loja.

iFood entrega relatório de venda, repasse e conciliação do próprio canal de delivery. É dado real de venda, e o escopo é só o que passou por ali: o consumo de insumo e a venda do salão ficam fora.

Saipos leva o cálculo até o CMV teórico e real, com estoque e ficha técnica na própria unidade, conforme a página do produto. Para quem quer o número sem montar planilha, é o caminho mais curto até o relatório por loja; o relatório em si ainda precisa ser aberto e interpretado por alguém, todo mês.

Visio junta a venda por item, a nota de entrada, o estoque, a ficha técnica e o caixa da loja escolhida num lugar só, e transforma o corte em tarefa com dono e confirmação de que foi feito. Sozinho, esse dado responde uma pergunta; junto, responde qual das quatro causas é a de hoje.

Veja o que outros operadores estão fazendo.

Comparativo enxuto: quem responde “por onde começo” mais rápido

CritérioVisioF360SaiposKompra.AppiFood
Aponta a loja de pior desvio no mêsSim, por lojaConsolidado por redePor unidade, no relatórioNãoNão
Separa porção, quebra e preço dentro da linhaSim, ficha técnica contra estoqueNãoSim, na unidadeSó o preço de compraNão
Cruza com venda e caixa da mesma unidadeSim, quatro fontesNãoParcialNãoSó o próprio canal
Vira tarefa com dono e confirmaçãoSim, com a ferramenta acopladaNãoNãoNãoNão

Nenhuma linha acima cobra de uma ferramenta o que ela não prometeu fazer. O relatório do PDV existe, e abri-lo todo dia, loja a loja, continua sendo trabalho de alguém.

Opinião do Head of Content

Lorenzo Lopez, Head of Content da Visio, recebe essa pergunta com uma frequência maior do que qualquer outra sobre CMV: não “como reduzo”, mas “por onde eu começo”. Ele observa que a resposta certa costuma decepcionar quem espera um plano de ação inteiro, porque ela cabe numa loja e numa causa. Redes que travam quase sempre erraram pelo excesso: reuniram o time, listaram as doze lojas e as quatro causas, e saíram da sala com dezoito tarefas e nenhum responsável de verdade. Ele repara que a rede que destrava faz o oposto do instinto: escolhe a pior loja, escolhe a causa mais fácil de confirmar dentro dela, e só depois de fechar essa primeira conta olha para a segunda unidade. O que funcionou na primeira loja não é receita para a segunda; é só a prova de que o método funciona. Ele lembra de uma rede que passou três meses discutindo um plano para as doze lojas ao mesmo tempo e não saiu do lugar; na primeira semana em que escolheu só a pior loja e só a causa mais fácil, a tarefa foi concluída antes de sexta. O número da sua operação se calcula com o seu dado, nunca se chuta.

Próximo passo

Se você já sabe que o CMV subiu e só falta saber por onde entrar, a resposta não é mais um relatório da rede inteira. É a loja de pior desvio, a causa mais fácil de confirmar dentro dela, e uma tarefa com dono no fim da tarde. Saiba mais sobre como esse primeiro corte é feito com o seu dado.

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Conclusão

“Por onde começo” não pede um plano para a rede inteira. Pede uma loja, uma causa e uma tarefa com dono, porque cada unidade guarda o próprio desvio dentro do próprio dado, isolado do resto da rede pela própria forma como o CNPJ e o cadastro fiscal são organizados no Brasil.

F360 confirma que o custo subiu. Kompra.App ataca o preço de entrada. iFood concilia o canal de delivery. Cada um faz bem o que se propôs, e nenhum deles se propôs a escolher a loja certa e transformar a causa encontrada nela em tarefa com confirmação.

Comece pela pior loja do mês, pela causa mais fácil de confirmar dentro dela, e feche essa conta antes de abrir a segunda. O único sistema que você precisa para tocar múltiplas lojas é o que fecha essa conta em cima do que já está instalado.